Métodos de Estudo da Vesícula Biliar

 

A radiografia simples do abdome é útil para se observar gás ou cálcio do trato biliar Aproximadamente 10 a 15 % dos cálculos biliares são calcificados e prontamente identificados nas radiografias simples. Às vezes, pode haver acúmulo de cálcio na vesícula simulando um meio de contraste (bile em leite de cálcio). Eventualmente a parede da vesícula está calcificada (vesícula em porcelana), o que é importante por causa da associação desta anormalidade com o carcinoma da vesícula.

É possível observar gás em disposição triangular no centro de cálculos biliares (sinal de Mercedes-Benz).

A presença de gás nos ductos biliares implica uma comunicação anormal entre o intestino e a vesícula ou o colédoco. Esta comunicação pode ser causada pela penetração de uma úlcera duodenal na árvore biliar ou quando um cálculo corrói a parede do estômago, do duodeno ou do cólon. Em geral, é conseqüência da anastomose cirúrgica do intestino com o trato biliar ou da plastia do esfíncter de Oddi.

Feito pela primeira vez há sete décadas, o colecistograma oral foi revolucionário. A ingestão de um composto orgânico iodado atóxico que é absorvido no intestino delgado, excretado pelo fígado e concentrado na bile dá a oportunidade de se descobrir cálculos não-calcificados durante os exames pré-operatórios. Também é possível detectar outras alterações intra-luminais da vesícula biliar além dos cálculos.

A ultra-sonografia da vesícula biliar (US-VB) teve grande impacto no diagnóstico da doença biliar. Substituiu o colecistograma oral como o principal método de imagem por causa das inúmeras vantagens. Não há exposição à radiação nem a necessidade de ingerir meio de contraste e aguardar o processo de opacificação. A icterícia não interfere no exame. A capacidade de determinar o tamanho do dueto biliar e estudar o parênquima do fígado e do pâncreas é bastante benéfica. A ultra-sonografia só mostra a anatomia patológica, e não a fisiológica, enquanto o colecistograma oral demonstra ambas. Muitas pessoas têm cálculos biliares assintomáticos e, por isso, existe um grau de incerteza de que os cálculos visualizados na US-VB sejam a causa das queixas do paciente.

A Colangiografia Retrógrada Endoscópica (CRE) permite a injeção direta de contraste no colédoco. É muito útil para descobrir cálculos coledocianos e alterações inflamatórias e neoplásicas dos ductos. A CPRE possibilita a papilotomia, a biópsia, a retirada de cálculos dos ductos biliares, a dilatação de estenoses e a introdução de moldes nasobiliares para avaliar a obstrução.

A Colangiografia Trans-hepática Percutânea é feita injetando-se meio de contraste sob visão fluoroscópica através de uma agulha de pequeno calibre introduzida no parênquima do fígado. É útil pelos mesmos motivos da CRE e tem vantagem de permitir que o operador institua a drenagem biliar, se necessária. Está sendo cada vez mais reservada para os pacientes com obstrução biliar que necessitam de drenagem permanente ou temporária da bile. É possível fazer biópsias com agulhas de tumores, drenagem de coleções líquidas e instituir a drenagem externa ou interna (colédoco-duodenal) por via percutânea.

A TC é menos valiosa na avaliação da vesícula e do sistema ductal em comparação com outros métodos, porém é útil para estudar o parênquima hepático em busca de neoplasias. Também é mais sensível do que as radiografias na detecção de gás na veia porta. A TC é sensível na detecção de calcificações e na determinação da composição de cálculo.

A angiografia é importante no estudo das lesões do parênquima hepático.

A ressonância magnética (RM) do fígado, da vesícula e dos duetos biliares é bastante útil. Pode ser definitiva no diagnóstico de hemangiomas. Este exame não usa a radiação ionizante, o que é uma consideração importante.

 


 

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